Pedro de Toledo - História

Data: . - Pedro de Toledo

 pedrodeloledo cidadeO ouro sempre atraiu o homem e, quando surgiram as primeiras noticias do precioso metal no Sul da Capitania de Martim Afonso, muitos aventureiros e seus escravos vieram para a região em busca de riqueza. Isso ainda no século XVI.

Com o correr do tempo, muitas lendas surgiram e marcaram o Vale do Ribeira: o Morro do Ouro, em Apiaí; Sete Barras que seriam sete barras de ouro encontradas no local; a Serra do Itatins em cujo pico um lago de prata Mas... o ouro mesmo não apareceu. E, passada a ilusão do ouro, aqueles que saíam dos lugares mais conhecidos e de fácil acesso pelo Rio Ribeira de Iguape começaram a subir outros nos menores da mesma bacia, ainda em busca de ouro e também em busca de terras para a atividade agrícola.

Foi assim que chegaram os primeiros desbravadores aos Rios Itariri, do Peixe e do Azeite.

Os primeiros... Bem! Os primeiros não foram conhecidos, pois foram mortos pelos índios Cayuás ou Caynás, encontraram-se as duas grafias nos documentos antigos. Esses índios bravios da nação Guarani não aceitavam a presença do branco.

O jornal "O Sul Paulista", de junho e julho de 1921 relatam fatos que comprovam as hostilidades dos índios. O texto é o seguinte, respeitada a grafia da época:

"Entre aos annos de 1825 e 1835, vieram ter ao Valle do Rio Itariry, índios bravios, que alli commetiam toda sorte de depredações, atacando e roubando os destemidos aventureiros que para alli se dirigiram em procura de ouro ou tentavam fazer explorações agrícolas.

Nessa época, entre 1825 e 1835, tornaram-se de tal violência os ataques, que o governo foi abrigado a mandar forças a fim de combater os indígenas. A força vinda de Iguape era comandada pelo Capitão Doria, que, secundado por destemidos prainhences, seguiu para o Vale do Itariri e ali travou combates com os indígenas, pereceram nessa luta o lavrador Ignácio Monteiro. Sabiram feridos os lavradores Pedro José Paz e Antônio José. Pelo que se deduz das notas em nosso poder, a força não conseguiu bater os indígenas, sendo necessário mandar vir da Serra Acima um "Índio Manso", por intermédio do qual foi conseguida a paz ecreado os aldeamentos dos Rios Itariry e Peixe. Uma vez creado os Romualdos Lorena, que para alli foi residir em a companhia de sua mulher".

Além desses fatos publicados, existem um outro que a tradição nos conta e que o nome de um bairro no município de Itariri não deixa esquecer. Quebra canoa é o nome do bairro.

 

Pedro de Toledo a Cidade.

Pedro de Toledo recebeu seu primeiro impulso em 1912 com a chegada da Estrada de Ferro Sorocabana, que veio facilitar o seu desenvolvimento, principalmente no setor da agricultura que teve por onde escoar seus produtos.

Nesta época, o nome do município era Parada Carvalho, e depois Alecrim, em virtude da quantidade dessa erva encontrada naquela época. Enquanto Distrito, Alecrim pertencia à Comarca de Prainha (atual Miracatu). Com a sua emancipação, em 9 de abril de 1949, passa a chamar-se Pedro de Toledo em homenagem ao estadista, diplomata e ex-governador paulista de década de 30.

Hoje Pedro de Toledo recebe o seu segundo impulso com a presença de fortes tendências ao desenvolvimento do turismo sustentável, uma vez que 75% dos seus 631 Km² são áreas de preservação ambiental.

A economia do município provém-se da monocultura de banana, pecuária, agroindústria e em baixa escala o turismo.

O nome da Cidade é Homenagem ao Homem Pedro de Toledo.

Pedro de Toledo, o célebre político brasileiro, nasceu em São Paulo, em 1860, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1935. Formou-se em Direito em 1884. Foi eleito Deputado Estadual em 1895 e Deputado Federal em 1905 e 1907. Foi Ministro da Agricultura, Indústria e Comércio do Governo de Hermes da Fonceca, em 1910, foi Ministro do Brasil em Roma e em Madrid, em 1913 Embaixador em Boenos Aires, em 1922, cargo em que foi aposentado.

Em 1932 foi nomeado Interventor Federal no Estado de São Paulo. Tornando-se, depois, por aclamação popular, chefe supremo da Revolução constitucionalista. Preso e exilado, retomou ao Brasil em 1934 com saúde abalada, falecendo pouco depois. Assinou o decreto que institui o brasão de armas de São Paulo, em 1932.

Foi jornalista e diretor de O Estado de São Paulo, foi membro da Academia Paulista de Letras da qual é membro - Fundador. Publicou um trabalho sobre o IV Centenário do Brasil e um volume de discurso.

Homem sensível íntegro, solidário, colaborador, pacifista, embaixador por excelência estreitou os laços de amizade entre Brasil e Argentina nos anos em que trabalhou em Buenos Aires.

Patriota humanitário, cristão autêntico abrigou, em Buenos Aires, exilados políticos da Revolução em 1924, acontecida no Brasil.

Político batalhador, generoso não vacila em usar o próprio dinheiro quando se tratava de promover o bem e o direito. Lutou pelos índios, cujo serviço de proteção aprimorou. Como Ministro da Agricultura Indústria e Comércio, cuidou da borracha, regulamentou o ensino profissional, melhorou a lei florestal, regulamentou também a junta comercial, o museu nacional, o serviço de geologia e mineralogia, os corretores de mercadorias e de navios, assim como a inspetora de pesca.

Foi nomeado Interventor Federal no Estado de São Paulo, no dia 4 de Março de 1932, mas a defesa dos princípios democráticos porque sempre lutou fez aceitar a aclamação do Toledo. Aceitou a deposição para evitar mais derramamento de sangue.

Uma semana depois foi remetido para o Rio de Janeiro. Depois de passar três dias no Arsenal da Marinha, foi levado para a ilha do Rijo onde ficou até 22 de Novembro de 1932, em companhia de outros líderes derrotados: O minério de Arthur Bernardes e o gaúcho de Borges de Medeiros. Depois foi exilado para Portugal. No início de Novembro de 1933 viajou de volta ao Brasil pelo vapor "Arlanza" tendo chegado ao porto de Santos, no dia 20 de Novembro. Foi aclamado, em Santos, e, em São Paulo, foi recebido como filho querido.

Depois, foi para o Rio de Janeiro a fim de conviver com seus familiares, o estado de saúde foi definhando e, na madrugada de 29 de julho de 1935, faleceu. Seu corpo foi transladado para São Paulo e o trem especial no qual viajou para a cada estação a fim de o ilustre político receber as ultimas homenagens. Com um nome tão glorioso e com um lema - Honor et Labor - (Honra e Trabalho) - tão elevado nosso povo pedrotoledense tem condições de viver a verdadeira cidadania levando para o terceiro milênio a realização do ideal que o Ocidente persegue a mais de dois séculos: LIBERTADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE.

Maiores informações poderão ser encontradas no livro "Pedro de Toledo" de Ana Maria Sendim.